Studio shots

O mais recente corpo de trabalho (com obras ainda em progresso) desenvolve-se a partir de problemáticas inerentes às fragilidades do indivíduo contemporâneo, fortemente associadas a uma dimensão temporal, numa linguagem que parte da pintura e se estende a outras disciplinas, como a escrita, a tapeçaria, a escultura e a instalação.

Tendo como campo central temático a ideia de temporalidade, é frequente uma abordagem metafórica que passa pela relação do indivíduo com o passado - tocando em tópicos como os da memória, da nostalgia e/ou da irreversibilidade do tempo; com o presente - que se prende sobretudo com questões de existencialismo e com o futuro - evocando ideias de anseios e expectativas, revelando um constante interesse pelas questões processuais que dizem respeito a cada uma das disciplinas que experimento. É neste fio temporal que o mais recente trabalho pende.

Interessa-me, aqui, a ideia de agrupar registos de ateliê como uma espécie de arquivo ou projeto expositivo transitório, não só pelo caráter assumidamente descomprometido como pelas soluções instalativas, por vezes inconscientes ou despercebidas, das diferentes disciplinas de que me vou ocupando. 

Beatriz Coelho

(...) Existem, sim, três tempos: o presente das coisas passadas, o presente das coisas presentes e o presente das coisas futuras. (...) os três estão de alguma maneira na alma e eu não os vejo em outro lugar: o presente das coisas passadas é a memória, o presente das coisas presentes é o olhar, o presente das coisas futuras é a expectativa.

Santo Agostinho, em Confissões, Livro XI.